quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

QUEREMOS GALEGO? (distribuídas 1000 folhas às 12h00 do Domingo, 27 de Janeiro de 2013 na manifestação de Queremos Galego em Compostela)


Queremos Galego? Seguro? Estamos certos? Temos certeza? Nós achamos que não. Nós pensamos que uma imensa massa de pessoas do dito campo nacionalista, nomeadamente os seus dirigentes, estão ACOMODADAS nessa miséria de fala produto da mordaça sonora que é o espanhol para as pessoas galegas e que nos atrapalha no cérebro a capacidade de pensar e no aparelho fonador a de nos exprimir em galego com a correta fonética, tão diferente do espanhol e tão próxima do português. Grandes áreas geográficas e demográficas da Galiza continuam a utilizar os sibilantes, fonemas para os que a ORTOGRAFIA espanhola, de tão profusa utilização na Galiza, não tem qualquer representação: milhões de pessoas submetidas ao racismo mais abjeto mesmo interior, às que se lhes PROÍBE com todo rigor a sua portuguesa fala mesmo fazendo troça dela.

Continuamos submetidos ao ANALFABETISMO na nossa própria língua e cultura IMPOSTO pelos poderes políticos e económicos espanhóis sem fazermos a resistência FUNDAMENTAL, básica, a que o espanhol não pode DERROTAR: ALFABETIZAR-NOS sem qualquer escusa e ALFABETIZAR o povo galego seguindo a sábia prática de Castelão, um dos mais distintos professores do Instituto de Estudos Galegos, que em 1931 dava em Compostela cursos de português porque a similitude entre os idiomas da Galiza e Portugal É PERFEITA.

Assim pensava e agia Castelão e o Instituto de Estudos Galegos em 1931; hoje, 81 anos depois, uma reivindicação democrática elementar de qualquer programa político libertador de qualquer povo COLONIZADO, a ALFABETIZAÇÃO na sua própria língua e cultura, não figura nos programas nem é praxe habitual e permanente de qualquer dos muitos partidos e, sobretudo, sindicatos que afirmam defender a liberdade nacional da Galiza, com abandonos fora do campo linguístico, tão de destaque como os da CIG e SLG na Aliança Social Galega, A SOGA da Galiza, que NEGA E PROÍBE defender o direito a decidir do povo galego.

Consideramos que a Lei de Normalização Linguística e sobretudo o Decreto de Normativização da Língua Galega assinado por Fernández Albor, presidente da Junta e Felgueira Valverde, Conselheiro, adjunto ao Presidente, para a Cultura, em Novembro de 1982, Decreto baseado no Acordo da Real Academia Galega com o Instituto da Língua Galega denominado «Normas ORTOGRÁFICAS e Morfológicas do Idioma Galego» de 3 de Julho de 1982, a dezassete meses do golpe fascista de Tejero, PROIBIU a nossa secular ORTOGRAFIA e contribuiu decisivamente para o ANALFABETISMO do povo galego na sua própria língua e cultura DERROTANDO até ao dia de hoje a proposta de Ricardo Carvalho Calero de chegarmos ao português.

O submetimento a essas aniquiladoras leis, o «possibilismo» e sobretudo o abandono da resistência fundamental, a ALFABETIZAÇÃO, foram demolidores. Também achamos que devemos acrescentar a INAUDITA DIVISÃO no Português na Galiza como outro dos elementos decisivos para o atual estado de coisas em que nos sumiu o racismo nazi do Feijó.

Em qualquer caso, TRINTA ANOS DEPOIS, podemos afirmar que os avanços quanto a assumir na prática a IDENTIDADE do galego e o português foram muito grandes nas últimas décadas embora INSUFICIENTES, devido à falta de UNIÃO NO PORTUGUÊS NA GALIZA e ao rejeitamento do trabalho POLÍTICO quer na República portuguesa quer na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Nós proclamamos que arranjadas as INSUFICIÊNCIAS, é nossa e da Galiza, a VITÓRIA. 
Compostela, Domingo, 27 de Janeiro de 2013

COMISSÃO PARA A REUNIFICAÇÃO NACIONAL DA GALIZA E PORTUGAL

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