quinta-feira, 30 de julho de 2015

GALEGO
 
LÍNGUA DE
 
CASTELA
 
MANUEL LOPES ZEBRAL
 
Menendez Pelaio na sua «História de la Poesia Castelhana»: 
Cantava, o povo castelhano de Burgos cantava. O povo castelhano de Castro Gerês, de Vila Sandino, de Melgar de Fernão Em Tal cantava. Entoava na língua de Burgos as suas gestas heroicas. Cantava em galego as cantigas de escarnho e maldizer com curiosíssimos versos: «Rey velho que Deus confonda» com que os vassalos de Afonso o Sábio increpavam [ao Catalão] o grão rei de Aragão, Dom Jaime I, segundo conta D. João Manuel no seu «Conde Lucanor». Eis o que conta Menendez Pelaio na sua «História de la Poesia Castelhana» que, segundo ele, se escreveu em galego: «a primitiva LÍRICA de Castela se escreveu em GALEGO antes de se escrever em Castelhano» e acrescenta «co-existiu durante século e meio com o emprego do castelhano na poesia épica e em todas as manifestações da prosa».
O povo castelhano de Burgos era cantor BILÍNGUE, mesmo escrevedor. Nada nos conta MP se também o povo castelhano de Burgos falava e se também era na fala BILÍNGUE, quer dizer, se era competente em duas línguas, o castelhano e o galego, como lhe atribui ao PATRIARCA DA PROSA CASTELHANA que escreveu TODOS os seus versos em GALEGO. Afonso o Sábio, tão BILÍNGUE, que deixou ORDENADO que se lhe cantasse em GALEGO em Murça, onde mandou ser enterrado. Sabia o Sábio Afonso duas línguas, uma para PROSA, o castelhano, e outra para TODOS os seus versos [aqui  não precisa se versos épicos ou líricos, TODOS], O GALEGO.
É bem certo que denúncia e brada indignado, atribuir-lhe versos em castelhano ao patriarca da prosa castelhana. FALSIFICAÇÃO de algum alquimista de finais do XV século (1492?). E não é obra ISOLADA...  porque é FABLA artificial que não se FABLÓ nunca... concluindo que... não se pode duvidar que sejam mais uma das INÚMERAS FALSIFICAÇÕES DOS GENEALOGISTAS DO XVII SÉCULO.
Numa palavra, para MP, o rigoroso seria denominá-lo Afonso o Sábio BILINGUADO. E para sermos justos com MP temos de significar que ele reconhece: «como desconhecer que o primitivo instrumento do LIRISMO PENINSULAR não foi a língua castelhana nem o catalão mas a língua que indiferentemente...  podemos chamar galega ou portuguesa (dado que as variantes DIALECTAIS tardaram muito em se acentuar e antes na PROSA [comparemos prosa de Fernão Lopes (1440) com Crónica Troiana (1411)] que nos versos) e que em rigor merece o nome de LÍNGUA DOS TROVADORES ESPANHÓIS a qual foi um DIALECTO poético convencional em parte como o provençal clássico e o italiano nos librettos de ópera. Em tal DIALECTO escreveram [não precisa se falaram] à par com reis de Portugal como D. Dionis e príncipes e grandes senhores de aquele reino, grandes reis de Castela como Afonso X e Afonso XI, abades de Vala do Lide como D. Gomez Garcia [outros galegos] misturados com outros de Leão, de Burgos, de Tala Beira e até de Sevilha como Pedro Amigo, um dos mais fecundos e  notáveis do Cancioneiro da Vaticana [fins do século XI até meados do  XIV, 1090-1350].
Também acrescenta MP que a mesma perfeição e ritmo das cantigas é INDÍCIO claro de uma elaboração POÉTICA ANTERIOR [não havia prosa nem épica?] quiçais muito longa cujos primitivos monumentos pereceram. Não se podem aventurar conjeturas acerca da emancipação das línguas VULGARES da latina. Mas acreditamos que o despertar POÉTICO [não da prosa nem épica] coincidiria com aquele BREVE [mais de 150 anos] período de esplendor que desde fins do século XI até à metade do XII pareceu que ia dar à RAÇA HABITADORA DO NOROESTE DA PENÍNSULA O PREDOMÍNIO E A HEGEMONIA sobre as demais gentes da dita península. Durante os reinados de Afonso VI, de dona Urraca e o Imperador Afonso VII, o ESPIRITO GALEGO encarnado na colossal figura do arcebispo Gelmírez... se LEVANTA COM [INCONTRASTÁVEL EMPUJE] e cumpre ao seu modo uma missão civilizadora... acelerando a aproximação...
MP afirma um BREVE período que dura mais de 150 anos [o do Galiciense Regnum], desde 1090 até 1150. Em 1147 o cardeal Guido, legado do Papa, dita o Tratado de Paz entre Afonso VII e Afonso Henríquez, presentes os dois em Samora, em que o português desiste das suas pretensões às fronteiras cedidas por Dona Urraca (Samora, Salamanca, Touro e até Vala do Lide com a Terra de Campos) e o galego reconhece a independência do novo reino e o título do seu soberano.
PERÍODO DE ESPLENDOR POÉTICO, apenas POÉTICO; nada escreve acerca de se em mais de um século e meio, com três convulsos reinados, a POESIA ÉPICA e sobretudo a PROSA existiam porque para MP, na sua cabeça espanhola, a épica e a prosa estavam reservadas para o castelhano e assim durante 320 anos (1090-1410): O BILINGUÍSMO HARMÓNICO de Cortes e povos, castelhano para épica e prosa e galego para LÍRICA.
Acrescentemos que Castelão no Sempre em Galiza cópia textualmente de MP a crítica a Teófilo Braga: «de que a lírica passou da Galiza para Portugal com TODOS OS DEMAIS PRIMITIVOS ELEMENTOS DA NACIONALIDADE PORTUGUESA condecorada logo com o pomposo nome de LUSITANA».
MP afirma coisas tais como que «nos LÁBIOS DO POVO continuam a viver as antigas gestas (ÉPICA) e os COMPILADORES HISTÓRICOS seguem EXPLORANDO-AS COMO DOCUMENTOS. Nós podemos afirmar o «RIGOR HISTÓRICO» dos ditos documentos e a FALSIFICAÇÃO dos compiladores...
Continua MP: «No XIV século (sociedade burguesa)... fica relegada quase ao esquecimento a poesia ÉPICA. No XV século, última EFLORESCÊNCIA DO GÉNIO ÉPICO NACIONAL [reparem nos conceitos da linguagem e na própria linguagem], A MAIS SUBLIME, HERÓICA, ELEGANTE, CLÁSSICA E PERFEITA. Os qualificativos são do melhor; tudo o contrário, aquando fala a respeito do galego.
Em contradição com a literatura ÉPICA do XIV século, UM OPULENTO RAUDAL de poesia LÍRICA (sempre o aditivo) desce das comarcas [assim denomina à Galiza e Portugal] ocidentais da península, abrindo-se TRIUNFAL CAMINHO desde a Galiza até à Andaluzia e Murça. As obras do Arcipreste de Fita têm os seus protótipos... na LÍRICA
[mais uma vez]... DOS TROVEIROS GALEGOS. Em nossa opinião o Arcipreste de Fita escreveu em GALEGO o «Livro do Bom Amor». Afirma o mesmo, os protótipos dos TROVEIROS GALEGOS, A LÍNGUA GALEGA, para os «GOZOS E CANTARES» com que salpica o seu Poema o Chanceler Ayala [Pero Lopes de Ayala].
Relativamente ao Marquês de Santilhana de origem basca (1398-1458), nascido em Carrião dos Condes, em Palença, temos de questionar o que, diz-que, deixou escrito: «Nos Reinos da Galiza e Portugal mais do que em nenhumas outras regiões da Espanha (???) o exercício destas ciências (artes) se costumou. Em tanto grau que  não há muito tempo quaisquer dizedores ou troveiros destas partes agora fossem CASTELHANOS, ANDALUZES OU DA ESTREMADURA, TODAS AS SUAS OBRAS COMPUNHEM EM LÍNGUA GALEGA OU PORTUGUESA [Para lhas dizer ou trovar a quem? Ao povo dessas partes? Percebia galego o povo dessas partes?]. Méncia de Cisneros, a sua avô, tinha um volume grande de cantigas portuguesas e galegas, a maior parte de D. Dinis. Ele, o Marquês de Santilhana, o viu «sendo de idade não provecta, mas assaz pequeno moço». O Marquês casou em 1412. Morreu-lhe o pai em 1403, com cinco anos, e foi viver com a avô. Portanto talvez veria o livro das cantigas galego-portuguesas em 1405-1410. Um grande volume cujas obras, as de D. Dinis, AQUELES QUE AS LIAM (podiam perceber e julgar) para LOAR invenções subtis, engraçadas e doces palavras [palavras em galego-português que PERCEBIAM].
Segundo MP, o Padre Sarmento EXAGERA estas  palavras de Santilhana. O Padre Sarmento afirma TODA a poesia dos séculos XIII E XIV SER EM GALEGO. Santilhana apenas a LÍRICA. MP conta-nos que Tomás António Sanchez, bibliotecário montanhês que «habia sacado del polvo» a primeira canção de gesta e os principais instrumentos do mester de clerecia, NEGAVA A INFLUÊNCIA GALEGA na poesia castelhana NARRATIVA toda ela com evidentes signos de ter nascido no CORAÇÃO MESMO DE CASTELA (Burgos) [porque falavam GALEGO].
A referência que temos dos Provérbios do Marquês de Santilhana e das Coplas de Jorge Manrique são de DEZ FOLHAS COPIADAS CERCA DO ANO DE 1500 acrescentadas às 192 copiadas em 1461-62 do Cancioneiro de Baena. Podemos suspeitar ou afirmar que o COPISTA TRADUZIU em concordância com o ORDENADO no Tratado de Gramática que NOVAMENTE fez [teria feito um anterior?] o maestro António de Lebrija sobre a língua CASTELHANA no ano do Salvador de 1492 em 18 de agosto e impresso na muito nobre cidade de Salamanca? Podemos afirmar que um, o Marquês de Santilhana, e outro, Jorge Manrique, ESCREVERAM EM GALEGO porque o falavam eles e os seus respetivos povos?
O CANCIONEIRO DE BAENA
O Cancioneiro de Baena, cancioneiro dito «CASTELHANO» compilado por João Afonso de Baena, POETA GALEGO que «cópia o cancioneiro em CASTELHANO» antes de 1435, data da sua morte. Poeta GALEGO, natural de Baena, a 62 km de Córdova, cópia ou compila o cancioneiro para o rei CASTELHANO João II (1406-1454). Cancioneiro, diz-que, que foi acabado em 1430, sem certeza. João Afonso de Baena dedica MAIOR ESPAÇO no cancioneiro ao «galego-provençal». Cancioneiro de poetas dos reinados castelhanos de Henrique II (1369-1379), João I (1379-1390), Henrique III (1390-1406) e as primeiras décadas de João II (1406-1454). É continuação de um livro de canções do Infante D. Pedro, Conde de Barcelos, que recolhe, compila, a poesia galego-portuguesa desde as origens até meados do século XIV (1350) e o legou ao seu sobrinho, o rei castelhano Afonso XI.
O cancioneiro tem por objetivo escrito e explicitado por João Afonso de Baena entreter Rei, damas, e todos os integrantes da Corte... para a rainha, donas e donzelas da sua casa, ao príncipe D. Henrique (Henrique IV, 1424-1474)  e a todos os grandes senhores dos seus reinos e senhorios, assim os prelados, mariscais, doutores, cavaleiros e escudeiros, e TODOS os fidalgos e gentis-homens, AS SUAS DONCELAS E CRIADOS E OFICIAIS da Casa Real. Livro para ler e escutar, ler e ouvir, lentes e ouvintes, portanto TODOS COMPETENTES EM GALEGO, incluídas as donzelas e os criados para além dos grandes senhores dos seus REINOS E SENHORIOS, um feixe deles que não eram Castela.
João Afonso de Baena afirma que a ESCRITURA É SAGRADA, transmite SABER, conhecimento, contacta uns homens com outros e umas épocas com outras. LER, SABER, ENTENDER. Exercitar o corpo com atividades como lidar touros, jogar à besta, à flecha, à pelota, xadrez, dados, caçando falcões, etc. (GAYA CIÊNCIA, arte de poetar provençal).
O ARTE DA POESIA É UM DOM DIVINO (por graça infusa do Senhor Deus) PARA UM GRUPO DE ELEGIDOS COM UM TÃO ELEVADO ENTENDIMENTO E DE TÃO SUBTIL ENGENHO QUE SE FORJE E SE NUTRE DE MUITOS E DIVERSOS LIVROS E ESCRITURAS. A poesia CORTESANA requer ter  percorrido cortes de reis e grandes senhores [INTERNACIONALIZAÇÃO].
O OBJETIVO DO LIVRO É DO MAIS ALTO: FERRAMENTA DE PODER DE CLASSE, O SABER EM TODOS OS TERMOS DO CONHECIMENTO.
O único códice que se conhece (na Biblioteca Nacional de Paris) NÃO SE CORRESPONDE COM O ORIGINAL. Dá-se como certo que o dito códice parisino fazia parte da biblioteca da rainha Isabel a Católica Usurpadora (1451-1504) que o herdou do seu pai João II de Castela (nascido em Touro e, diz-que, poeta e músico). Era portanto irmã de pai de Henrique IV; a mãe, Isabel de Portugal ou de Avis. Não sabemos se em presença dela o dito cancioneiro seria lido ou se ela alguma vez o leria. Suspeitamos da sua competência na língua do Baena cujo cancioneiro tem 576 composições de 56 poetas. João Afonso de Baena destaca a Afonso Alvarez de VILA SANDINO com umas cem composições em GALEGO ao que designa com os qualificativos de MESTRE E PATRÃO. Segundo a Tábua ordenada por JA Baena aparece em primeiro
lugar o de VILA SANDINO, ali nascido, a 44 km de Burgos e uns poucos menos a norte de Castro Gerês, de onde eram originários os Castro (Inês, Joana, Álvaro e Fernão/Fernando). Seguem-se 17 poetas ao final dos quais o  próprio JA Baena. Só 17 dos 56 aparecem na Tábua. Dentre outros aparece Garci Fernández de GERENA, ali nascido, a 34 km de Sevilha, perto de Aznalcollar. Também poeta GALEGO. Outros poetas, João Vasques de Tala Beira, Pero Amigo de Sevilha, Pero Garcia Burgalês, todos poetas GALEGOS (CONFIRMAR!!!!!!!!!!!) Fernão Sanchez de Calavera/ Talavera?????? poeta da corte de Henrique III. O de VILA SANDINO tem poemas em GALEGO datados em 1409.
O códice parisino baseia-se num cópia feita em 1465 [1461-62?] e foi copiado por CINCO COPISTAS. O quinto cópia em diferente papel cerca do ano de 1500 os Provérbios do Marquês de Santilhana e as Coplas de Jorge Manrique: dez folhas acrescentadas às 192 copiadas em 1461-62. Se João II de Castela, poeta e músico, diz-que, morre em 1454, não sabemos se nos seus últimos vinte anos de vida (1435-1454) a prática que descreve JA Baena no seu cancioneiro de ler e ouvir POESIA CORTESANA CONTINUARA NA SUA CORTE [temos de pensar que também cantar os poemas musicados]. Não sabemos se morreu falando como quando aprendeu a falar em Touro em 1406. Não temos certeza de se pertencia ao GRUPO DOS ELEGIDOS, que define JA Baena, temos de pensar que como muitos outros reis castelhanos era notável versejador e músico em galego e que, assim como Afonso X mandou se lhe cantara em galego na sua morte ao ser enterrado em Murça [o que se falaria ali na altura?], o João II ordenasse coisa parecida. A sua filha, Isabel a Católica Usurpadora, nasceu em 1451, três anos antes da sua morte, e também não sabemos se em vida do pai a criancinha assistiu a alguma das sessões cortesanas poético-musicais, caso as houver. Sabemos que a sua mãe foi Isabel de Portugal ou de Avis, portuguesa; o que não sabemos é se a criancinha mamou o leite da mãe e também a sua língua; ou se tudo foi reduzido a leite e língua de ama de cria; criemos todas as elucubrações...
A GRAMÁTICA DE LEBRIJA PARA MATAR O GALEGO EXISTENTE
 E IMPERAR O CASTELHANO INEXISTENTE
«Podemos suspeitar ou afirmar que o COPISTA TRADUZIU [o Marquês de Santilhana e Jorge Manrique cerca do ano 1500]em concordância com o ORDENADO no Tratado de Gramática que NOVAMENTE fez [teria feito um anterior?] o maestro António de Lebrija sobre a língua CASTELHANA no ano do Salvador de 1492 em 18 de agosto e impresso na muito nobre cidade de Salamanca?» Colocávamos esta questão antes e queremos continuar a razoar a respeito.
Poderia algum copista ou não copista fugir do preceito da Gramática de Lebrija e da muito alta e esclarecida princesa Dona Isabel, a terceira desse nome, a rainha e senhora natural da Espanha e da Ilhas o nosso mar?
Achamos muito difícil, acreditamos que a dita Gramática foi um ato de força sobre o galego existente pelas terras peninsulares e mesmo insulares para o EXTERMINAR porque só assim podia IMPERAR a inexistente, vulgar dita língua castelhana porque segundo Lebrija «SEMPRE a língua foi companheira do Império e de tal jeito o seguiu que JUNTAMENTE COMEÇARAM [o castelhano da Gramática e o Império], cresceram e floriram e depois junta foi a queda de ambos os dois.
Porque a língua castelhana estendeu-se, alastrou depois até Aragão e Navarra e desde ali até a Itália a seguir a companhia dos INFANTES que enviamos IMPERAR em aqueles Reinos: e assim cresceu até a monarquia e PAZ que gozamos... na fortuna e boa dita da qual os MEMBROS E PEDAÇOS DA ESPANHA que estavam por muitas partes derramados se reduziram e AJUNTARAM NUM CORPO E UNIDADE de Reino, as formas e travação do qual, assim está ORDENADA, QUE MUITOS SÉCULOS DE INJÚRIA E TEMPOS A NÃO PODERÃO ROMPER NEM DESATAR... após os inimigos da nossa fé VENCIDOS POR GUERRA E FORÇA DAS ARMAS... não resta já outra coisa senão que floresçam as artes da PAZ...
Após vossa Alteza meter baixo o seu jugo muitos povos bárbaros e nações de peregrinas línguas e com o VENCIMENTO de aqueles teriam necessidade de receber as leis que o VENCEDOR PÕE [IMPÕE] AO VENCIDO e com elas a NOSSA LÍNGUA, então por esta minha Arte  poderiam vir no conhecimento dela... E certo é assim que não somente os inimigos da nossa fé, que têm necessidade de saber a linguagem castelhana, mas os BISCAINHOS, NAVARROS, FRANCESES, ITALIANOS [ISTO PARECE ESCRITO DEPOIS DA TOMADA DE NAVARRA EM 1512]... em cuja mão e poder, não menos está o momento da língua do que o ARBÍTRIO DE TODAS AS NOSSAS COISAS...
Se lerem o Capítulo III, Réguas... acento verbo, da sua Gramática, verão que Lebrija escreve «como diziendo cuando VOS AMARDES» perfeita conjugação do infinitivo do verbo AMAR EM GALEGO!!!
Temos portanto de acreditar em Lebrija e no que nos diz: que a «língua castelhana», melhor dito, a da sua GRAMÁTICA É PARA IMPOR PELA FORÇA DAS ARMAS aos inimigos da fé, aos povos bárbaros, a nações de peregrinas línguas, a Aragão, a Biscaia, a Navarra, a França, a Itália e sobretudo, sobre todas as coisas, aos MEMBROS E PEDAÇOS DA ESPANHA que estavam por muitas partes derramados e que se reduziram [RENDIRAM] E AJUNTARAM num corpo e UNIDADE DE REINO [CUJA LÍNGUA ERA O GALEGO, DESDE ASTÚRIAS ATÉ À ANDALUZIA].
Realcemos que em 4 de setembro de 1479 é assinado o Tratado de Alcobaças em que Afonso V de Portugal [que casara em 12 de maio de 1475 com a filha LEGÍTIMA de Henrique IV, dita Joana a «Beltraneja»], derrotado em Touro em 1 de março de 1476, renunciava às suas pretensões ao trono de Castela (não sabemos se no Tratado explicitava-se à Galiza) embora os reis espanhóis Fernando e Isabel reconhecessem PARA SEMPRE, todas as conquistas dos portugueses em África, até à Índia e no Atlântico com exceção de Canárias que ficaria para Castela.
Realcemos, também, que antes da derrota de Afonso V-Joana a «Beltraneja», mostraram-se partidários de se retirar renunciando à Coroa de Castela RECEBENDO EM TROCA A GALIZA e as cidades de Touro e Samora e uma forte soma de dinheiro. Avinha-se Fernando o Catalão mas a Isabel impediu o acordo.
É para destacar que em 4 de maio de 1493 (nove meses depois de publicada a Gramática), o Papa CATALÃO dos Bórgia, Alexandre VI expediu a bula Inter Caetera, bem pagada pelo compatriota Fernando, e que lhe dava mais da metade do Planeta.
Em 7 de junho de 1494 é assinado o Tratado de Tordesilhas em que Portugal troca à Galiza pela metade do mundo começando assim a ACUMULAÇÃO PRIMITIVA DE CAPITAL que descreve Marx e o CAPITALISMO e até hoje. Dezaoito anos depois de reclamar à Galiza, Touro e Samora, Portugal RENÚNCIA.
E assim, deste jeito fica DIMENSIONADA A NECESSIDADE que tinham muitos povos bárbaros e nações de peregrinas línguas sob o jugo da Alteza isabelina de receber as leis que o vencedor IMPÕE ao vencido [As Sete Partidas de Afonso X o Sábio] e da gramática de Lebrija e da língua da dita gramática. A DIMENSÃO É PLANETÁRIA, MUNDIAL, com logo se verificou com Filipe II da Espanha.
Fica DIMENSIONADA A NECESSIDADE QUE TINHA A BURGUESIA [A CATALÃ] DE DOMINAR O MUNDO PARA IMPLANTAR O CAPITALISMO e assim até ao dia de hoje.
Acreditar em Lebrija e no que ele diz? «[A língua] castelhana teve a sua meninice em o tempo dos juízes [1º] e dos reis de Castela [2º] e de Leão [3º]... [Vimos já como os reis de Castela e Leão eram NOTÁVEIS DOMINADORES DA LÍNGUA GALEGA. Mesmo o Henrique IV e tudo induz a pensar que ele e a sua filha Isabel, a conheciam e DOMINAVAM]... e começou a mostrar as suas forças em o tempo do muito esclarecido e digno de toda eternidade, El-Rei Dom Afonso o Sábio, por cujo mandado se escreveram as SETE PARTIDAS, a GERAL ESTÓRIA e foram transladados muitos livros do latim e arábigo à nossa língua CASTELHANA???...»
Relativamente às SETE PARTIDAS, o desconhecimento é ABSOLUTO antes de 1491 em que se publica a primeira das TRÊS PRINCIPAIS EDIÇÕES com a aparição da imprensa no XV século [1501].
A PRIMEIRA EDIÇÃO, com Glosas de Alonso Diaz de Montalvo, em Sevilha em 1491. Teve OITO REIMPRESSÕES até 1528.
A SEGUNDA EDIÇÃO, com Glosa de Gregório Lopez, em Salamanca em 1555. Teve quinze reimpressões até 1855. RECEBEU SANÇÃO OFICIAL POR REAL CÉDULA de 7 de setembro de 1555. Foi a mais utilizada na América Hispânica.
A TERCEIRA EDIÇÃO DA REAL ACADEMIA DA HISTÓRIA EM 1807. Declarada OFICIAL POR REAL ORDEM DE 8 de março de 1818.
AS SETE PARTIDAS FOI O CORPO JURÍDICO DE MAIS AMPLA E LONGA VIGÊNCIA EM IBERO-AMÉRICA (até o XIX século).
As Sete Partidas, como a Gramática de Lebrija, também acompanha o Império. Dá-se por feito terem sido redigidas em castelhano por Afonso X o Sábio. Se fossem redigidas em GALEGO, como a racionalidade indica, em 1491 teriam de ser redigidas, POR FORÇA, na língua da Gramática que Lebrija estava a escrever para publicar em agosto de 1492. Não havia mais alternativa, qualquer outra seria a fogueira inquisitorial do auto-de-fé ou o exílio. Falaremos depois do Tribunal da Suprema Inquisição e do Tribunal do Santo Ofício.
Relativamente à GERAL ESTÓRIA, Menendez Pidal escreve em 20 de abril de 1906 que os manuscritos da Crónica Geral do Rei Sábio, a ele atribuídos, são de cerca de DOUS SÉCULOS de atividade historiográfica: primeira Crónica por Afonso X, uma outra em 1344, a terceira e quarta Crónica em 1404.
Continua a dizer Lebrija: «[a língua castelhana até agora] solta e fora de toda regra... em poucos séculos muitas mudanças... Se a queremos cotejar com a de hoje a quinhentos anos [1492-992] acharemos tanta diferença e diversidade quanta pode ser maior ENTRE DUAS LÍNGUAS. REDUZIR EM ARTIFÍCIO esta nossa linguagem castelhana para o que agora e de aqui em adiante nela se escrevesse possa ficar em UM TEOR e alastrar em toda a duração dos tempos que estão por vir... Como o grego ou latim... passados muitos séculos ficam em UNIFORMIDADE».
Vejamos o «cotejador» Lebrija, pretensioso, a comparar a língua da sua gramática e/ou a «solta e fora de toda regra» [exceto a regra que marcava O GALEGO] de 1492 com a de quinhentos anos atrás, quer dizer, a do ano 992, a «língua castelhana» do CÓDICE EMILIANENSE, escrito em latim em letra visigótica minúscula. A «língua castelhana» do Códice Emilianense é como o mistério da Santíssima Trindade... O que não é mistério é o Império: O Códice do Escorial é um livro em que se reuniu muita coisa dispersa e Felipe II mandou guardar no Mosteiro do Escorial onde está registada a sua entrada em 30 de abril de 1576. Hipótese, não se sabe NADA, o livro ser feito em 1350.
Na biblioteca do Escorial está o CÓDICE EMILIANENSE, datado no ano 992, que procede do Mosteiro de São Milhão da Cogolha, onde no ano 776 começa a ser copiado o CÓDICE ALBELDENSE. Durou a copiação desde o ano 776 até ao ano de 992, dirigida pelo bispo Sisebuto, copista Belasco e notário Sisebuto. O Códice Albeldense finou e a sua cópia, CÓDICE EMILIANENSE, está na biblioteca do Escorial desde o XVI século. Foi Ambrósio de Morales o encomendado por Felipe II para PROCURAR manuscritos antigos por toda a Espanha para «incrementar os fundos da biblioteca». O Ambrósio de Morales obteve o CÓDICE EMILIANENSE de Pedro Ponce de Leão, bispo de Plasença, que ao morrer doou ao Escorial o resto da sua biblioteca.
Nem Albeldo nem Emiliano dizem NADA relativamente à dita «língua castelhana» ou tão pouco que só podemos qualificar de INVENTO, PATRANHA LEBRIJANA o da «castelhana» língua.
MISTÉRIO em São Milhão da Cogolha e VERDADE DO GALEGO em 1098, em tempos do notável versejador em GALEGO, Afonso VI Imperador de Leão, a língua do povo por ele dominado. VERDADE que a Corte [e o povo?] do denominado Ovetenses Regnum (718-914) falou e escreveu GALEGO. VERDADE que os historiadores muçulmanos [de grande cultura greco-latina] denominavam aos reis de Oviedo como reis da Galiza. Denominavam como GALEGOS os seus inimigos do norte. Denominavam como cão GALEGO o dito Cid CampeCampeador, natural de Burgos. Por que seria? Porventura porque falavam todos GALEGO e assim o percebiam os ouvidos e os olhos muçulmanos? Lembremos que em Santa Gadeia de Burgos hu juram os filhos-de-algo, maldizer em GALEGO durou muito tempo...
Numa palavra, temos perante os olhos uma GIGANTESCA VERDADE, A DO GALEGO, que os espanhóis se negam a ver e pretendem, alucinados, na misteriosa e espessa escuridade ver uma «língua castelhana», uma «língua leonesa», uma «língua moçárabe», na que mais nada há do que LÍNGUA GALEGA e as suas variantes DIALECTAIS, situação que perdura durante os quinhentos anos dos que fala Lebrija e depois reproduzem, PATRANHA SOBRE PATRANHA, Menendez Pidal e Lapessa no seu mapa dos DIALECTOS HISPÁNICOS por volta de 950.
Diz Lebrija que «acharemos em quinhentos anos tanta diferença e diversidade quanta pode ser maior entre DUAS LÍNGUAS». Entre o GALEGO e a língua da sua ARTE, da sua Gramática? ARTE em que se lhe esparrama o GALEGO DE «AMARDES»? Tinha Lebrija conhecimentos e DOMINAVA O GALEGO? Nós racionalmente achamos que SIM. Com certeza Lebrija DOMINAVA O GALEGO e fez a sua ARTE para vãmente o MATAR. Podemos dizer que FRACASSOU passados séculos, quinhentos anos. Mas o triunfo imediato não deveu ser muito grande visto que em 1517 António Lebrija publica «Regras de ORTOGRAFIA espanhola»: procurava UNIFICAR A PRONÚNCIA [a fonética] em todo o território de Castela em concordância com a PRESTIGIOSA FORMA de Vala do Lide, abandonando definitivamente o romance de Burgos [GALEGO]  que tinha estado na origem dos primeiros escritos pré-afonsinos.
Ainda em 1523 publica Lebrija «Regras de ORTHOGRAFIA na língua castelhana». A importância que Lebrija dá à ORTOGRAFIA deveria servir-nos hoje para UTILIZARMOS MACIÇAMENTE A NOSSA SECULAR ORTHOGRAFIA, a que Lebrija pretendia MATAR junto com a nossa língua sem o conseguir. A PURA E SIMPLES ORTOGRAFIA DO PORTUGUÊS, hoje concordada, concertada pelas repúblicas que oficializaram a nossa língua e a sua Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP.
Isabel I de Castela [não sabemos porque Lebrija escreve «a terceira deste nome»] teve uma grande amizade com Santa Beatriz da Silva, amizade tão grande como para a ajudar a fundar a Ordem da Imaculada Conceição. Já dissemos que Isabel era filha da portuguesa Isabel de Portugal ou de Avis. Também Beatriz da Silva era portuguesa, nascida na vila fronteiriça de Campo Maior em 1424, descendente dos Condes de Ourem [João Fernandez de Andeiro?] e de Barcelos. Foi dama na Corte de Isabel I. Tudo são INDÍCIOS RACIONAIS muito grandes para afirmar que Isabel I de Castela DOMINAVA A LÍNGUA GALEGA OU PORTUGUESA mesmo que era a sua língua materna...
O seu secretário Fernão do Pulgar, nascido em Pulgar, perto de Toledo em 1436? EDUCOU-SE NA CORTE DE JOÃO II DE CASTELA [ouvindo porventura poemas cantados do de Vila Sandino?] e na de Henrique IV que o nomeou SECRETÁRIO REAL, cargo que continuou com Isabel I. Foi embaixador em Roma perante Xisto IV, o papa que dá a BULA para o estabelecimento da Inquisição em novembro de 1478 a pedido de Fernando e Isabel. Em 1481 chamava-se LÍNGUA VULGAR ao dito castelhano. Como se denominava a LÍNGUA CULTA, GALEGO? Nesse ano de 1481 foi nomeado CRONISTA REAL. Escreveu uma Chrónica dos muy altos e esclarecidos reis Catholicos dom Fernando e dona Ysabel. Em que língua? Nós aventuramos que em GALEGO, como escrevera Pero Lopez de Ayala, o Chanceler, do que Fernão Lopes copiara IMENSO ao escrever as suas ESTÓRIAS na Torre do Tombo da Lisboa anterior ao terramoto talvez ouvindo gaiteiras marinhãs, foliadas e moinheiras... A Chronica do Fernão do Pulgar vem até 1490. Continua Lebrija de CRONISTA REAL desde 1490 até 1509. É Lebrija que por encomenda da rainha Ysabel traduz para o latim a Chronica de Fernão do Pulgar, publicando-se TODOS OS CÓDICES E EDIÇÕES DA SUA PRINCIPAL OBRA em 1545 e 1550... DERIVAM DE UMA PRIMEIRA EDIÇÃO BURGALESA E CONTÊM UM TEXTO CENSURADO por conveniência desse primeiro editor.
Vejam qual pode ter sido o destino da GERAL ESTÓRIA de Afonso X o Sábio e os seus seculares continuadores, de uma primeira crónica do Rei Sábio, de uma segunda em 1344, de uma terceira e quarta em 1404, da de Pero Lopez de Ayala, o Chanceler, da de Fernão do Pulgar: A CENSURA LATINA DE LEBRIJA ORDENADA PELA USURPADORA YSABEL. A CENSURA DA HISTÓRIA. A PATRANHA O IMPÉRIO ACOMPANHA.
O TRIBUNAL DA SUPREMA INQUISIÇÃO E O TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO
A CENSURA DA INQUISIÇÃO?
O Secretário da rainha Isabel, Fernão do Pulgar, apresenta o TOTAL DE DOIS MIL (2000) quanto a hereges QUEIMADOS, até 1490.
Zurita CALCULA que antes de 1520 morreram SÓ EM SEVILHA QUATRO MIL CONDENADOS.
TODOS ESTES DADOS E OS QUE CONTINUARÃO ESTÃO TOMADOS, REFERENCIADOS DO LIVRO INTITULADO «A INQUISIÇÃO ESPANHOLA» DE A. S. TURBERVILLE em que NÃO SE DIZ uma palavra da Galiza mas que não será difícil imaginar o acontecido na Nossa Terra sabendo os acontecimentos de outras. Sempre pior no nosso caso, aventuramos... Limitar-nos-emos a continuar com uma CRONOLOGIA:
1474: Isabel acede ao trono de Castela.
1478: Os reis Fernando e Isabel (FI) requerem a Xisto IV o estabelecimento da Inquisição. A bula autorizando-a é de novembro de 1478. Houve um intervalo de dois anos antes de que a bula entrasse em execução.
1480: Começa a Doma e Castração do Reino da Galiza, segundo o aragonês Padre Zurita.
1480, 3 de agosto: Impõe-se na Galiza uma força militar de ocupação denominada a «Santa Hermandad»
1480, 17 de setembro: Foram escolhidos dois dominicanos para inquisidores em Sevilha.
1480,dezembro: Uma força de elite sob o mando do «Mouro Mudarra» chega a Compostela – o «virrei» Acunha e o licenciado Garcia Gomez de Chinchilla chegaram com ela – e o Galego deixou de ser língua oficial do Cabido compostelano.
1481, 6 de fevereiro: Verificou-se a primeira CERIMÓNIA PÚBLICA, UM AUTO-DE-FÊ, da Inquisição em Sevilha; torraram seis indivíduos.
1483, dezembro: Execução de Pardo de Cela.
1486: Reis FI chegam a Compostela TOMAR POSSE do Reino da Galiza.
1490, até: Fernão do Pulgar, secretário da rainha Isabel, cuja crónica chega até 1490 apresenta um total de DOIS MIL (2000) hereges QUEIMADOS.
1490: Torquemada num auto-de-fé queimara seis centos volumes que continham judaísmo e outras heresias.
1492: Ano de expulsão dois judeus (marranos) pelos reis FI. Foram 90.000 para Portugal aceitados pelo monarca João II em residência temporária pela qual PAGARIAM ALTA CAPITAÇÃO.
1501: Invenção da imprensa.
1505: Inquisição em Canárias, sujeita a Sevilha.
1506: Levantamento em Lisboa com chacina de 2000 vítimas de João III.
1512: Reis FI tomam Navarra.
1515: Concílio de Latrão com papa CATALÃO Alexandre VI (Bórgia); CENSURA para livros.
1520: Zurita calcula que só em Sevilha morreram quatro mil (4000) condenados antes de 1520.
1520-22: Guerra civil em Valência onde os «mouros estiveram» muito implicados.
1526: Carlos V chega a Granada. Instaura Tribunal da Suprema Inquisição «não muito severa».
1529: Primeiro auto-de-fé em Granada. Três «mouriscos» sentenciados.
1529-1707: Ducado de Milão pertenceu a Espanha. No século XV a Sicília fazia parte dos domínios da Casa de Aragão. Em 1713 a ilha da Sicília passa a mãos do duque de Saboia. Em 1735 a Áustria cedeu a Sicília e Napoli a D. Carlos, logo Carlos III. Este obteve do Papa um inquisidor próprio para Sicília afastando-se da Inquisição espanhola. A Casa de Aragão introduziu a Inquisição em Sardenha  nos fins do XVI século. Em 1718 a ilha passou para o duque de Saboia.
1534: Juan de Valdés, crítico de Lebrija, perseguido pela Inquisição na campanha contra LUTERANOS.
1534: O mais bem dotado dos protestantes espanhóis pode estabelecer-se em Napoli. Passou ali o resto da sua vida sem ser molestado.
1550: Francisco San Roman, natural de Burgos, tornou PROTESTANTE, LUTERANO, depois de uma visita casual à luterana Antuérpia. Preso em Ratisbona por Carlos V veio para a Espanha onde morreu na fogueira. A multidão para mostrar o seu ódio atingiu-o com espadeiradas.
1559: Índex Librorum Prohibitorum. Editaram-se mais outros em 1612, 1632, 1640, 1707, 1747 e 1790. Este foi chamado Índice Último e não continha a lista de expurgações ao contrário do que sucedera com os anteriores. Não bastava publicar os índices, era preciso verificar se as obras interditas não eram realmente lidas. A Inquisição empregou agentes para investigar nas livrarias e até as bibliotecas particulares. As leis de imprensa eram bastante drásticas.
1559, 24 de setembro: Grandioso auto-de-fé em Sevilha que atraiu milhares de pessoas.
1559, 8 de outubro: Auto-de-fé em Vala do Lide presidido por Felipe II, assistiram 200.000 pessoas; queimados VIVOS, De Seso e Juan Sanchez. Conta-se que ao passar defronte do Rei, De Seso perguntou a Felipe como é que ele podia sancionar semelhantes horrores, ao que o monarca teria respondido: «Eu mesmo traria a lenha para queimar o meu próprio filho se ele fosse tão perverso como tu».
1560, 22 de dezembro: Autos-de-fé contra protestantes desde essa data em 1562, 64, 65 em Sevilha, Vala do Lide, Logronho. Em Navarra em 1568.
1568, dezembro: Grande rebelião de «mouriscos» esmagada depois de três anos de guerra por João de Áustria.
1571: «Mouriscos» removidos para outros pontos da Espanha.
1573: Apenas um dos oitenta penitentes respondia pela acusação de praticar secretamente a religião muçulmana.
1580: Felipe II toma Portugal. Comerciantes judeus passa a Espanha.
1604: Ajuste entre Felipe II e cristãos-novos portugueses.
1604-1630: Os tratados entre Espanha e Inglaterra continham proteção para súbditos ingleses.
1609: Tratado que protege holandeses. Guerra Espanha-Grã-Bretanha, perde-se a proteção.
1621: Com Felipe IV recrudesce em Portugal a perseguição de judeus, fogem para Castela.
1623: Voto nas Cortes de Castela para a Galiza. Real Cédula de 5 de abril de 1625.
1630: Proteção de holandeses. Restaurada.
1632: Certo livro escrito por um inquisidor atribui a decadência portuguesa (devida, na verdade, mais à conquista espanhola) à influência corruptora dos judeus. Continuou com ferocidade a perseguição durante o XVII século, quase todas as vítimas eram portugueses imigrados à Espanha depois de 1580.
1654: A aliança anglo-espanhola falhou porque Cromwell exigia liberdade de culto para ingleses na Espanha e liberdade para comerciar nas Índias espanholas.
1667: Os tratados seguintes continham a mesma proteção de 1604 e 1630. Em 1667, 1713, 1763 e 1783.
1678-1691: Grande perseguição de judeus em Maiorca (confiscação de bens). Três queimados VIVOS e restantes queimados depois de «garrote-vil», «garrotados», dum total de trinta e sete.
A Inquisição perseguiu para além da HERESIA, a feitiçaria, bigamia, instigação no confessionário e opiniões escandalosas e perniciosas. A CENSURA DOS LIVROS. No XVIII século perseguiu o jansenismo, racionalismo, Franco-Maçonaria. Nos fins do XVIII século acreditavam que a feitiçaria implicava contrato real COM SATANÁS. Qualquer desvio da ESTRITA MONOGAMIA (bigamia por exemplo) era capaz de provocar a recaída no islamismo.
Em tempos de Carlos III e do Marquês da Ensenada foram numerosos os casos de bigamia com que ele (o Santo Ofício) lidou. O arquivo do TRIBUNAL DE TOLEDO, no século XVIII e XIX, mostra ter sido o SEGUNDO na ordem de frequência.
A Suprema Inquisição jamais negou categoricamente a possibilidade de haver mulheres dotadas de poderes sobrenaturais devido a um PACTO COM O DEMÓNIO.
Os padres seduzir mulheres no confessionário foi um dos delitos que figura em MAIOR NÚMEROP no arquivo inquisitorial. Afirmar que a fornicação entre pessoas solteiras não era pecado mortal FOI FREQUENTEMENTE PUNIDO pela Inquisição.
Carlos III expulsa os jesuítas em 1767. O Conde de Aranda, ministro de Carlos III, livre-pensador, logrou safar-se do Santo Ofício. Em 1789 Carlos IV ordenou Santo Ofício perseguir os heréticos revolucionários da França.
Em Ferrol, quarta-feira, 8 de junho de 2015
ASSDO: MANUEL  LOPES ZEBRAL
 
 
 
 
 

Sem comentários: